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Os Alpes alemães – Bad Reichenhall

Bad Reichenhall
Também a Alemanha é um país em constantes mudanças demográficas, sobretudo nas cidades maiores. Devido à oferta no mercado de trabalho nas grandes cidades nas últimas décadas, as mesmas  tem sido marcadas por um crescimento significativo – o que também provocou uma supervalorização dos imóveis. Tendo em vista essas tendências, faz para um aposentado pouco sentido permanecer nas cidades grandes, que já o mesmo se encontra em um ritmo de vida mais tranquilo e não tem a necessidade de continuar nesse stress. Muitos acabam se mudando para cidades menores, mais calmas, onde há melhores possibilidades de usufruir esta fase de suas vidas sem o alvoroço diário da cidade grande e com uma qualidade de vida superior.

 

BAD REICHENHALL

Uma das cidades que se tornou destino de aposentados com um poder aquisitivo médio a alto é Bad Reichenhall, no sul da Baviera, diretamente nos Alpes alemães, na divisa com a Áustria e pertinho de Salzburgo.

Bad Reichenhall oferece uma qualidade de vida enorme: cidade pequena, sem engarrafamentos, onde se tem de tudo – comércio, praças, jardins, ruas tranquilas e arborizadas, cafés, restaurantes, bares, cervejarias, museus, história, cultura, orquestra filarmônica, cinema, parque de águas térmicas (Rupertus Therme)  e até mesmo um cassino.

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Já estivemos lá em várias ocasiões, buscando sair do stress da cidade, descansar, relaxar e nos desligar do corre-corre diário. O interessante é que, numa primeira visita em um bar, café ou restaurante, se é incialmente uma figurinha nova, um desconhecido. Já na segunda visita, se é percebido e cumprimentado como uma pessoa conhecida. Na terceira visita já se é de casa. Eu não estou me referindo somente a garçons ou donos dos locais, mas também a outros frequentadores ou residentes. Assim foi possível conhecer algumas pessoas interessantes – recentemente até mesmo um músico da orquestra filarmônica da cidade sentou na nossa mesa: comemos e bebemos juntos, conversamos bastante e no final, ele nos ofereceu a rodada do licor típico da região. Às vezes me surpreende como as pessoas desta região podem ser tão amigáveis e se abrir tão rapidamente 🙂

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O MUSEU DO SAL – Das Salzmuseum

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Bad Reichenhall possui um subsolo riquíssimo em sal, cuja exploração era uma base importantíssima para a economia da região no passado.

A salina antiga, onde o sal foi explorado até 1929, é situada centralmente diretamente na cidade antiga. Sobre esta salina foi construído o castelo pitoresco Gruttenstein em 1834 pelo Rei Ludwig I. Hoje a salina é um museu, aberto para visitantes, onde se pode ver exatamente o processo de retirada do sal do solo. Também é possível ver muitas das maquinarias em sua forma original.

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O castelo, assim como o museu integrado estão abertas o ano todo – há a possibilidade de se fazer uma visita com guia.

 

O JARDIM REAL COM A SUA TORRE DE GRADIENTE – Königlicher Kurgarten mit Gradierhaus

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No centro da cidade se encontra o jardim real construído em 1868. Concebido pelo jardineiro real da Baviera Carl com Effner, o jardim spa ainda é considerado um dos melhores de seu tipo na Europa Central. Belíssimo, harmonioso e absolutamente bem cuidado em todas as épocas do ano. As construções perfeitamente executadas, como a rotunda de concertos, o spa real e o foyer.  Também neste jardim jardim foi construída uma obra muito especial com origem histórica interessante:

Com o passar do tempo, se percebeu que os trabalhadores da usina de sal tinham uma saúde muito melhor que a maioria das pessoas “comuns”.  Foi quando se fez a relação entre a saúde e os benefícios do sal. Portanto foi construído o “Gradierhaus” (torre de gradiente) dentro jardim real – é literalmente um oásis no meio da cidade.

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O Gradierhaus é uma “casa” com 160 metros de largura. Suas passarelas são cobertas com um telhado, sob o qual as paredes gradientes percorrem todo o eixo longitudinal. As paredes tem impressionantes 13 metros de altura e são feitas de camadas de galhos espinhosos negros (Blackthorn). Entre as camadas dos galhos flui a água salina 13 metros abaixo até alcançar o sólo. Esse processo permite que a água respingue e se dilua no ar, o que torna o local um verdadeiro inalatório, uma fonte de saúde. As pessoas vão ao parque não somente para apreciar o belo jardim real, elas se sentam ao redor da torre e passam o dia respirando o ar salino. Muitos aproveitam a ocasião para fazer leituras, jogar xadrez ou simplesmente tirar uma soneca em um dia agradável no verão.

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Também é muito comum ver pessoas idosas por lá, pelos motivos inicialmente citados e pelos benefícios à saúde.

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PASSEIO DE BICICLETA AOS PÉS DOS ALPES

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Descobrimos este local no verão de 2013 quando, motivados pela possibilidade de “desestressar” do caos metropolitano, procurávamos um local bonito que nos permitisse ao mesmo tempo descanso e lazer. Como somos ciclistas passionais, o local deveria oferecer a possibilidade de usar as bicicletas, mesmo que fossem as nossas mini-dobráveis, que podemos levar dentro do carro.

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Fizemos o passeio à beira do rio, para ser mais precisa, entre a beira do rio e uma “parede alpina” de arrepiar,  pedalamos quilometros a fio. É de tocar mesmo a alma, se percebe o quanto a natureza nessa região é grandiosa… visitamos um pequeno vilarejo anexo à localidade, onde fizemos uma pausa para tomar “cerveja” (nos habituamos a tomar as não-alcoólicas) e continuamos o passeio entra algumas fazendas, árvores, montanhas, até que finalmente reencontramos o nosso ponto de partida. Recomendo!

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LOCALIZAÇÃO E COMO CHEGAR

de carro: Bad Reichenhall fica situada no sul da Baviera, na divisa coma  Áustria – em torno de 20 minutos de Salzburgo de carro, ou poco mais de 1 h de Munique

de trem: a cada hora parte pelo menos um trem de Munique em direção a Salzburgo. De lá se tem como pegar um trem para Bad Reichenhall, estes partem a cada meia-hora.

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Companhia de trem alemã – Deutsche Bahn: www.bahn.de

Companhia de trem austríaca – Österreichische Bahn: www.oebb.at

 

HOSPEDAGEM

Já experimentamos diferentes hotéis na região, com perfis  bem particulares. A escolha do hotel é uma questão de gosto pessoal, expectativas, localização, oferta de lazer, disponibilidade e budget. Os preços das diárias variam de acordo com a temporada. Aqui algumas sugestões aprovadas:

1. Amber Residenz Bavaria

Hotel tipo wellness, com sauna, piscina e ofertas de tratamentos estéticos. Fica relativamente central. Rico café-da-manhã incluído na diária.

2. Villa Sudrow

Este hotel oferece apartamentos com cozinha e banheiro e dá total liberdade de horário, já que o café-da-manhã não é oferecido de forma a cada hóspede pode determinar o horário que quer acordar. Por outro lado há uma cozinha pequena e uma mesa com cadeiras, de forma que se o hóspede fizer as compras com antecedência, se pode cozinhar no apartamento. Amei essa liberdade! O hotel é super central, quieto, numa das ruas mais floridas da cidade.

3. Vier Jahreszeit (Quatro Estações)

Hotel bem central, vizinho da Villa Sudrow, oferece excelente café-da-manhã. Proprietários super bacanas, sempre interessados em dar dicas e informações para o planejamento da estada na cidade e arredores.

4. Fuchs Hotels (Hotel Dora)

Hotel familiar, aconchegante, central, mas numa rua tranquila, oferece café da manhã. A estação de trem fica 2 minutos de distância a pé. O parque de águas térmicas Rupertus Therme fica bem pertinho. Oferece café-da-manhã no valor da diária, mas não conseguimos experimentá-lo, pois não acordamos cedo suficiente…

Também é possível encontrar hotéis no www.booking.com ou hospedagem através do www.airbnb.com ou www.wimdu.de entrando com o nome “Bad Reichenhall”.

O vinho quente – Glühwein

Glühwein

O Glühwein é uma bebida tradicional de Natal mais antiga que o próprio Natal. Durante o Advento esta bebida é altamente consumida na Europa: somente na Alemanha cerca de 40 milhões de litros de vinho quente são consumidos no período, sobretudo nos mercados de Natal. O vinho quente clássico geralmente é feito com vinho tinto e especiarias como canela, cravo, limão e anis (opcional), cardamomo, noz-moscada, pimenta da Jamaica e laranjas. O teor alcoólico do vinho quente é previsto por lei, pelo menos sete por cento. O sabor do vinho quente pode ser ainda melhorado com licor, rum ou conhaque, o que consequentemente aumenta o seu teor alcoólico significativamente.

Existem diversas versões de vinho quente em diversos países Europeus. Abaixo alguns nomes da bebida nas respectivas línguas desses países:

Glühwein (Alemanha, Áustria, Suíça)

Glögg (Suécia)

Jólaglögg (Islândia)

Mulled Wine (Inglaterra)

Vin Chaud (Franca, Suíça)

Vin Brulé (Itália)

 

COMO FAZER VINHO QUENTE – RECEITA

Existem grandes diferenças resultantes da qualidade dos ingredientes utilizados. Vinho quente de menor qualidade geralmente é feito com vinho de qualidade inferior, o sabor típico da bebida é muitas vezes produzido com a ajuda de açúcar e aromas artificiais. Desvantagem: devido ao elevado teor de açúcar e de álcool, é rapidamente absorvido a vai direto à corrente sanguínea, de modo que o dia seguinte pode vir com dores de cabeça desagradáveis. Vinho quente de melhor qualidade é feito de especiarias verdadeiras e um bom vinho, tornando o gosto do vinho quente muito melhor, mais aromático e também faz com que o dia seguinte seja agradável.

Para quem se interessa, aqui a receita básica para vinho quente, feito com vinho, especiarias, frutas cítricas:

Os ingredientes:
– 1 litro de vinho tinto seco
– 1 limão galego
– 2 paus de canela
– 3 cravos
– estrelas de anis (opcional)
– 3 colheres de sopa de açúcar
– um pouco de cardamomo

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O modo de preparo:
Despeje o vinho tinto em uma panela, corte o limão em rodelas e adicione o açúcar, os paus de canela e cravo no pote. Aqueça os ingredientes até pouco antes do ponto de fervura e depois cubra e deixe descansar por 1 hora.

Dica importante: o vinho quente só pode ser aquecido e não fervido! Caso contrário, o álcool contido evapora e as especiarias terão o sabor alterado, tonando-o amargo.

Com o cardamomo, o vinho quente recebe um toque final. Os pedaços de especiarias – como paus de canela, cravo e estrelas de anis – devem ser removidos com uma peneira. Para que o vinho quente não perca o seu calor, é aconselhável armazená-lo em garrafas de vidro pré-aquecidas. Decore com um pau de canela no vinho quente ou uma fatia fina de limão na borda do copo. Adoce a gosto com açúcar ou mel. Dependendo do gosto se recomenda uma dose de rum! Fica uma delícia! E esquenta do frio!

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Saúde! 🙂

 

 

Mercado de Natal – Weihnachtsmarkt

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Todos os anos no período do Advento ocorre em quase todas as cidades e comunidades alemãs o mercado de Natal, chamado Weihnachtsmarkt (em algumas regiões, chama-se Christkindlmarkt). É uma época em que, em praças principais ou em zonas de pedestres, tanto em metrópoles alemãs quanto em cidades menores são ocupadas por barraquinhas decoradas, iluminadas e alegres, e simbolizam a chegada do Natal. O clima festivo e a alegria se espalha.

Nas barraquinhas vende-se de tudo,  desde comidas, salsichas, assados, pães, doces natalinos, bolos, bebidas alcoólicas e não-alcoólicas – aqui destaco o Glühwein, o “vinho quente” para aquecer as pessoas do frio do inverno. Mas também se encontra produtos artesanais, decorações de Natal, velas, produtos de inverno para aquecer o corpo, artigos de decoração de casa, e tudo que vier na cabeça criativa do vendedor.

Também se tem muita música, teatro para crianças, diversas apresentações culturais de diversas formas, para tornar o mercado mais lindo, mágico e encantador – tanto para os adultos, quanto para as crianças.

OS MERCADOS DE NATAL FAMOSOS

Os mercados de Natal mais lindos não são necessariamente os maiores. Mas aqui uma listagem dos 10 mais conhecidos e visitados no país:

Número 1: Nuremberg

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Este é absolutamente o mais famoso de todos os mercados de Natal na Alemanha, bem tradicional, verdadeiramente encantador. Há muitos esforços em se promover atividades também para famílias e crianças e recebe visitantes de todos os cantos do mundo anualmente. Este é “o” mercado de Natal.

 

Número 2: Stuttgart

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O pano de fundo deste mercado é a Igreja Stiftkirche no centro da cidade, na área de pedestres, perto da sede da bolsa de valores de Stuttgart. Este eu conheço pessoalmente, estive por lá com uma das minhas irmãs há uns 10 anos atrás… Se tem a impressão de se viajar no tempo… Principalmente no pátio do castelo antigo da cidade…

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Tradicionalmente se pode encontrar todos os tipo de bonecos “nutcrackers” (quebra-nozes), em diversas cores, modelos e tamanhos…

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Número 3: Frankfurt

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Este é um dos maiores e mais significativos  mercados de Natal da Alemanha,  realizado na cidade antiga de Frankfurt, com  barraquinhas minuciosamente trabalhadas e decoradas.  Este mercado tem como pano de fundo o Römerberg (a prefeitura da cidade) e a praça Paulplatz. A árvore de Natal imensa e o tamanho do mercado em si o fazem um dos mais impressionantes e bonitos no país.

 

Número 4: Munique

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O principal mercado de Natal em Munique é realizado na zona de pedestres da cidade antiga, na famosa praça Marienplatz. Todos os anos a praça é decorada com uma árvore gigantesca com no mínimo 25 m de altura, doada por uma comunidade da Baviera. Há literalmente listas de comunidades que se candidatam como doadoras de famosa árvore, a cada ano obviamente só uma tem a “honra” de entregar a árvore à cidade…  A mesma é iluminada com dezenas de milhares de lâmpadas. O mercado é bem tradicional e lindo – está sempre lotado e o clima sempre festivo.

Em Munique também existem vários outros mercados de Natal menores, espalhados por bairros – alguns dao a impressão de estar na idade média – exemplo é o mercado perto da praça Odeonsplatz, realizado no pátio do castelo na entrada do jardim do Ingleses.
O especial deste mercado é que se tem impressão de estar na idade média… Algumas impressões no vídeo:

Ainda abaixo mais um vídeo com impressões de dois mercados de Natal em Munique, uma parte feita no Marienplatz e o outra parte num mercado numa rua transversal no Kripperlmarkt (mercado presépio). Este vídeo foi feito pelo portal da cidade durante o dia, quando os locais ainda estão vazios, já que a maioria das pessoas ainda está no trabalho… Mas se pode ter uma idéia:

 

Número 5: Düsseldorf

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Em Düsseldorf existem 7 mercados de Natal significativos, mas  o principal da fica bem central e tem como cenário a praça da prefeitura, construída no estilo arquitetônico renascentista da época. O especial neste mercado é o presépio em tamanho natural.

 

Número 6: Freiburg

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Este mercado de Natal é realizado no bairro histórico e mais antigo da cidade, o Altstadt, na praça da prefeitura. O mercado é  encantador e oferece uma variedade enorme de artesanatos comidas e bebidas, vendido nas barraquinhas de madeira tradicionais.

 

Número 7: Berlim

Weihnachtsmarkt auf dem Gendarmenmarkt

O diversos mercados de Natal de Berlim dão um sentimento de nostalgia. Um dos mais bonitos fica no Gendarmenmarkt e tem como  cenário de fundo o palácio da ópera que, somados à iluminação das barraquinhas e com a decoração, dão realmente a impressão nostálgica. A oferta de produtos de artesanato e artísticos, ligados ou não ao tema Natal faz deste um mercado riquíssimo e diverso.

 

Número 8: Lübeck

Lübeck

A cidade antiga histórica e a igreja de Maria Marienkirche são o pano de fundo deste mercado de Natal internacionalmente conhecido. Em Lübeck o mercado é bem voltado às famílias, sempre com um evento especial em cada dia do advento. Destaque para a a floresta de conto de Natal (Weihnachtsmärchenwald), dedicado às crianças. Há quem diga que este mercado de Natal é um presente por si.

 

Número 9: Essen

essen2É um grande mercado de Natal e oferece em mais de 250 barracas trazendo artigos de 21 países e de toda a Alemanha. De artesanato africano a chapéus australianos, passando por cartazes nostálgicos americanos – lá, visitantes de todas as partes do mundo encontrarão seu Natal especial. Paralelamente ao mercado de Natal, em Essen se pode ver neste período muitas iluminações natalinas espetaculares – que provavelmente são patrocinadas por uma das grandes empresas de energia no país, com sede nesta cidade.

 

Número 10: Dresden

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Também conhecido internacionalmente, o mercado de Natal de Dresden, o Striezelmarkt tem como ponto central a pirâmide da região “Erzgebirge”, com 14 m de altura. Iluminação em abundância é um dos ponto neste mercado, que que quase hipnotiza…
Ainda há em Dresden um outro mercado, na residência do castelo, em estilo da idade média…

 

MINHA IMPRESSÃO

Estes mercados não são os únicos encantadores. Pessoalmente eu posso ressaltar os das cidades de Regensburg e de Aschaffenburg, que não estão nesta lista, mas são muito especiais. Como cada um faz o seu Advento da forma que considera especial, independente de onde  estiver, o que importa é o período bonito, cheio de amor e muito calor humano apesar da temperatura baixa que domina neste período. Não somente podemos abrir os nossos corações nesse período, como refletimos e  também relaxamos do corre-corre diário, aproveitando o tempo com as pessoas que amamos.

 

 

Jardim de cerveja – Biergarten

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Na Baviera  se encontra por todos os cantos os famosos Biergarten. Literalmente traduzindo, o nome Biergarten significa “jardim de cerveja”. A cidade de Munique tem a maior concentração deles.

ORIGEM HISTÓRICA

Os “Biergarten” tem origem no século XIX e eram pontos de encontro populares.

Por ordem do rei Ludwig, a cerveja só podia ser fabricada durante o inverno, já que no processo de fermentação da mesma a temperatura deveria ser de 4° e 8° C. Para que as grandes cervejarias de Munique pudessem continuar a produção e o armazenamento da bebida no verão, foram construídas adegas subterrâneas ao longo do Rio Isar. Com intuito de reduzir ainda mais a temperatura, a superfície diretamente acima das adegas e ao longo dos porões foi coberta com cascalhos. Adicionalmente foram plantadas castanheiras para oferecer sombra durante os meses quentes do verão. Além do armazenamento da bebida, as adegas começaram então a oferecer cerveja e comida para venda ao público.

Para que o público pudesse comer e beber convenientemente, foram colocados bancos e mesas simples de madeira sob as castanheiras, e a área recebeu o nome de “jardim de cerveja”, o que despertou grande interesse por parte da população. Essa nova tendência no entanto não teve efeito duradouro, já que as cervejarias menores e os restaurantes se sentiram em desvantagem. Estes fizeram uma petição, exigindo que o rei proibisse a de venda de cerveja e comida ao público nas adegas. Logo um decreto de lei foi emitido com a desejada proibição em Munqiue e nos arredores da cidade. Ao invés disso o público poderia trazer a própria comida para consumir no jardim de cerveja.

HOJE EM DIA

Como hoje não há mais essa lei, os atuais jardins de cerveja servem tanto cerveja como comida.

Na prática os jardins de cerveja são localizados em áreas externas, coberta com árvores, mesas e bancos simples e rústicos, onde as pessoas se reúnem para beber e comer. A regra oficial é que a bebida tem que ser obrigatoriamente comprada no local. A comida entretanto, pode ser comprada no local, mas também é permitido se trazer e consumir a própria comida – dessa forma se tem a impressão de local de encontro de amigos e família. Por tradição, somente os locais que se prendem a essa regra podem se intitular “Biergarten”.

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HÁBITOS

Devido ao trânsito e aos engarrafamentos, Munique tornou-se com o tempo uma típica cidade de ciclistas – sobretudo nas épocas em que a temperatura sobe. Também nessas épocas as pessoas voltam a frequentar os jardins de cerveja com suas bicicletas. Tanto residentes como turistas, os ciclistas tem boas chances e recebem apoio por todos os lados, desde que respeitem as leis de trânsito.

Através de serviços “Sharing” (compartilhamento) é possível alugar-se bicicletas. Uma das grandes companhias que oferecem este serviço é a Deutsche Bahn (DB) que tem bicicletas equipadas com GPS espalhadas pelo país inteiro. Se pode fazer reservas através de um aplicativo, que informa onde a bicicleta mais próxima está disponível e a devolução pode ocorrer em qualquer outro local. Os hotéis pela cidade também fornecem esse tipo de informação a qualquer turista interessado.

O Lago do Rei – Königssee

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Se há um local na Alemanha que se possa chamar de maravilhoso, então falemos da região alpina, no sul da Baviera. Os Alpes Alemães se extendem desde a divisa com a Áustria (próximo a Salzburg) até à Suíça. A região mais impressionante na minha opinião é a do Königssee – o “Lago do Rei”. O lago, cujas águas tem uma cor esverdeada como esmeralda, fica num vale estreito, numa região chamada Berchtesgaden, entre montanhas de até 1.800 m de altura. A sua extensão é de aproximadamente de 8 km, sua largura de até 1 km e a profundidade de até 190 m (vejam o mapa do lago abaixo).

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O silêncio é impressionante e as paredes das montanhas extremamente próximas tiram o fôlego de qualquer um… Há um passeio de barco até a península de St.Bartholomä, que vale a pena fazer. São uns 35 minutos por trecho, se pode permanecer na península até que último barco do dia retorne.

Recentemente recebi visita da minha mãe amada e uma das minhas queridas irmãs. Fomos presenteados com um sol maravilhoso, apesar da baixa temperatura. E fizemos o lindo passeio de barco acima mencionado. Aqui algumas impressões dessa pérola da natureza…

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Esta é uma dica de passeios para pessoas que não necessariamente querem fazer programas óbvios de turismo, mas viver algo especial e inesquecível…

Existem diversas formas de se chegar à região, partindo de Salzburg, Munique ou mesmo Bad Reichenhall – excursões de ônibus também são feitas com frequência e ocorrem desde que o tempo colabore. Há épocas no inverno, quando o lago está congelado, em que os passeios são cancelados.